Em debate no podcast Papo de Prefeito, da AGM, gestores apontam virada no interior, mas alertam para risco fiscal com novos pisos salariais
Em meio ao avanço de programas estaduais de habitação e à reestruturação de corredores logísticos como a GO-050, prefeitos do interior de Goiás afirmam que o estado vive uma inflexão no desenvolvimento fora das grandes cidades. O diagnóstico foi apresentado durante o podcast “Papo de Prefeito”, iniciativa da Associação Goiana de Municípios (AGM) que reúne gestores para discutir desafios e soluções da administração pública.
O objetivo é claro: romper a dependência do setor público e criar condições para geração de emprego formal no próprio município. Antes marcadas como cidades “dormitório” ou economicamente dependentes das folhas de pagamento das prefeituras, localidades do interior começam a registrar mudanças puxadas por um tripé: moradia popular, melhoria da infraestrutura e atração de atividade industrial.
O desafio, segundo gestores, é garantir condições mínimas para fixar a população. “Sem moradia, não há como segurar mão de obra. Ficamos anos sem construção de casas populares”, afirma o prefeito de Palminópolis, Frank Elvis, durante o episódio do podcast. Ele destaca que parcerias com o Governo de Goiás permitiram retomar projetos habitacionais e reaquecer a economia local.
Na mesma linha, prefeitos apontam que obras estruturantes começam a reduzir o isolamento histórico de regiões do interior. A conclusão da ponte sobre o Rio Santa Maria e a revitalização da GO-050 são vistas como marcos para atrair investimentos privados.
“Logística é o que decide onde a empresa vai se instalar. Estamos preparando Campestre para receber novas atividades, inclusive ligadas ao setor industrial”, afirma o prefeito de Campestre de Goiás, Esmeraldo Guimarães, também participante do episódio. Segundo ele, a meta é evitar que jovens deixem a cidade em busca de empregos precários em grandes centros.
Pressão fiscal preocupa
Apesar do cenário de avanço, prefeitos fazem um alerta sobre a sustentabilidade das contas públicas, ponto que também dominou o debate no podcast. O presidente da Associação Goiana de Municípios (AGM), José Délio, afirma que a criação de novos pisos salariais nacionais sem compensação financeira pode comprometer a capacidade de investimento das prefeituras. “O município corre o risco de virar apenas pagador de folha. Sem apoio, o gestor terá que escolher entre manter serviços ou cumprir obrigações salariais”, diz.
A preocupação é que o aumento das despesas obrigatórias reduza recursos para áreas como infraestrutura, educação e inovação, consideradas essenciais para sustentar o crescimento no interior.
Tecnologia entra na gestão
Outro ponto abordado no Papo de Prefeito é a modernização da gestão pública. A AGM desenvolve ferramentas digitais que permitem monitoramento em tempo real de receitas, repasses e convênios, com o objetivo de ampliar a eficiência administrativa. A iniciativa busca profissionalizar a gestão e reduzir a dependência de decisões políticas pouco técnicas, garantindo maior controle sobre a aplicação de recursos.
Interior em transição
Para os gestores, Goiás vive um momento de transição no modelo de desenvolvimento regional. A combinação entre investimento público e atração de capital privado começa a redesenhar o papel do interior na economia estadual, tema central do episódio. O desafio agora, segundo prefeitos, é manter o ritmo das políticas estruturantes e garantir segurança fiscal. A meta é consolidar um novo cenário em que o interior deixe de ser alternativa e passe a ser destino.